Linguagens, Extrema-direita e Mídia

A ascensão de líderes populistas de extrema-direita é um fenômeno político que tem ganhado força em democracias liberais ao redor do mundo, alimentado por contextos de crise e polarização. Figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro exploram sentimentos de insegurança e frustração com instituições tradicionais, mediante uma retórica simplificada que reduz problemas sociais complexos a batalhas morais entre “o povo” e “as elites”. Com ferramentas discursivas como slogans (“America First”, “Brasil acima de tudo”) e a estigmatização do “outro” — imigrantes, minorias, progressistas —, esses líderes forjam uma identidade coletiva baseada na exclusão, posicionando-se como únicos salvadores de uma suposta decadência cultural ou econômica. Esse movimento não só aprofunda divisões sociais, mas corrói valores essenciais à democracia liberal, como o respeito às minorias, a confiança nas instituições e a pluralidade de ideias, substituindo-os por uma política de antagonismo permanente, desinformação e autoritarismo velado.

Nossos pesquisadores atuam em diversas frentes de estudo sobre o tema, incluindo: análise de discurso (estratégias retóricas e enquadramentos midiáticos), teoria política (neoliberalismo, populismo e crise da democracia liberal), estudos sobre elites políticas e o Comparative Manifesto Project (análise comparativa de plataformas partidárias). Investigamos como narrativas extremistas se articulam com desigualdades estruturais, crises de representação e o papel das redes sociais na disseminação de teorias conspiratórias.